Bastardos Inglórios
(Guerra, 162 min, EUA)

Quentin Tarantino está de volta. E não somente voltou a roteirizar e dirigir, mas entregou um filme imperdível. Bastardos Inglórios conta a história de um grupo de judeus determinados a buscar vingança na 2ª Guerra Mundial. Os alvos, obviamente, são os oficiais nazistas. A simples missão acaba se tornando complexa, quando a elite do Reich se reúne em Paris para assistir a estreia de um filme de propaganda do império alemão.
Uma profusão de personagens invade a tela, sempre com relevância e sem medo de cumprir os papéis que lhe cabem. Ou seja, se for necessária a morte de um vilão ou mocinho para o bom andamento trama, assim será. Essa impetuosidade característica de Tarantino também se reflete nos diálogos afiados e deliciosos de acompanhar.
O jogo de gato e rato entre nazistas e judeus sofre reviravoltas interessantes e não exagera para agradar ou, como é comum no diretor, apenas chocar. Bastardos revela um amadurecimento muito bem vindo de Tarantino, mesmo conservando alguns elementos que definem o diretor. A montagem dividida em capítulos, a edição competente e objetiva, o roteiro cativante, tudo está lá. E desta vez melhor.
A homenagem aos filmes de 2ª Guerra Mundial – mais especificamente à película italiana Assalto ao Trem Blindado (1978) – é evidente. Porém, o que poderia se resumir a apenas referências acaba se tornando um produto rico e original. A “ação”, que nos filmes do diretor são focadas nos ácidos diálogos permanece. Porém, a ação propriamente dita está muito bem trabalhada em reconstruções de uniformes, armas, motivações e na atmosfera da França dominada.
Então, o filme surpreende. Sem entregar a trama, a subversão da História (com H maiúsculo) é uma das melhores reviravoltas de filme, digna de destaque em qualquer lista cinematográfica. A imprevisibilidade não se perde em apenas mostrar algo inusitado justamente porque Tarantino acostumou seus fãs a reconhecerem as características tão peculiares de roteiro e edição já citadas. Uma obra-prima de diversão, violência e suspense.
[+] Prós
- É o melhor filme de Tarantino, um clássico instantâneo.
- Apesar de violento, muitas cenas também rendem boas risadas.
- O nazista Hans Landa entra para o hall dos melhores vilões do cinema.
[-] Contras
- Infelizmente, não teremos uma continuação. Ou será que rola uma prequência?
- O filme é um pouco extenso demais, uma ou outra cena podia ser cortada da versão final.
- São poucas as cenas das ações da “gangue” dos judeus…
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